Max Schulman representa os agricultores europeus

06.11.2013

Max Schulman, da Finlândia, é o presidente do Cereals Working Party no Copa-Cogeca, uma organização que representa 15 milhões de agricultores e cooperativas na União Europeia.

Qual o estado actual da prática agrícola na Europa?

"Os agricultores enfrentam muitos desafios, tal como todos os empresários, mas estamos a caminhar na direcção certa. Os maiores riscos que os agricultores enfrentam são as condições climatéricas, os mercados e os políticos. Destes, as mudanças políticas são o ponto mais difícil de controlar, visto as alterações climatéricas e de condições do mercado poderem ser antecipadas através de apólices de seguros, futuros e outros meios, mas não existe nenhuma apólice de seguro contra mudanças políticas. No Copa-Cogeca, trabalhamos para influenciar a preparação de legislação, políticas de subsídios, políticas comerciais e cooperação na indústria."

Como é que passou a ser o presidente do Cereals Working Party no Copa-Cogeca?

“A Finlândia não é, de modo algum, o maior produtor agrícola da Europa, mas somos vistos como neutros em várias questões. Os nossos vice-presidentes são da Alemanha e da Grã-Bretanha. Em termos pessoais, sempre tentei trabalhar bem em conjunto com todos os partidos."

Também é o secretário do Cereals at the Central Union of Agricultural Producers and Forest Owners (MTK), na Finlândia, além de ser o responsável pela exploração agrícola da sua família.

Como é que conjuga os três trabalhos?

"Por vezes, são precisas muitas horas de trabalho. O meu cargo no MTK é o meu trabalho principal, pelo qual me pagam um salário. O meu cargo no Copa-Cogeca é honorário e conta como horas de trabalho no MTK. A estes ainda se junta a agricultura. Por exemplo, no Verão, saía às quatro da manhã para pulverizar as culturas, depois ia de avião para Bruxelas, para uma reunião às dez, e depois voltava para continuar a pulverizar antes da meia-noite."

Qual é o panorama do futuro da agricultura da Europa?

"A agricultura europeia tem sido, tradicionalmente, a mais eficiente do mundo, e possuímos excelentes conhecimentos, maquinaria, colheitas, mercados, etc. Mas agora, outras regiões como a América do Norte e do Sul e a Austrália chegaram ao nosso nível. Em economias emergentes, como a China e a Índia, a agricultura é vista como uma oportunidade importante, uma fonte de matérias-primas, um emprego, uma fonte de energia e um estímulo para a auto-suficiência alimentar. Na Europa, alguns políticos consideraram a agricultura uma indústria em declínio e esqueceram-se de que todos nós temos de comer todos os dias. No Copa-Cogeca, estamos a tentar mudar este tipo de pensamento."


« Regressar à descrição geral